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Inovação e ousadia marcam trajetória da Morena - Radio World

Inovação e ousadia marcam trajetória da Morena

Marcel Leal, presidente da Morena FM, 98.7 MHz, fala um pouco sobre a emissora que é líder de audiência e inova o rádio baiano desde 1987.
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Marcel Leal, presidente da Morena FM, 98.7 MHz, fala um pouco sobre a emissora que é líder de audiência e inova o rádio baiano desde 1987.

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Marcel Leal, presidente da Morena FM

Radio World: Como caracteriza a situação atual da estação em termos de popularidade, desenvolvimento e importância na região?
Marcel Leal:
Desde que foi inaugurada, em 1987, em Itabuna, Bahia, a Morena FM 98.7 vem quebrando todos os tabus do rádio FM no estado. Fomos pioneiros ao introduzir gêneros que nunca tocavam por aqui e a colocar jornalismo próprio no ar.

Fomos a primeira emissora a só tocar música digital, em 1990, e a veicular comerciais digitais em 1994. Também fomos a primeira emissora na Bahia a ter um Website e a transmitir online 24 horas.

Graças ao pioneirismo na área técnica e inovações na programação, continuamos como a rádio de referência, liderando a audiência mesmo depois do aparecimento de mais duas emissoras neste período.

RW: Que mudanças importantes estão acontecendo na Morena FM 98.7?
Leal:
Estamos finalizando uma transição importante na área técnica. Deixamos o Digicart II Plus como equipamento para veiculação de spots comerciais e adotamos uma solução criada internamente, em computador, baseada em sistema Linux e programas de código-aberto, como o Amarok (tocador de arquivos MP3 e Flac) e o Audacity (edição e efeitos).

Na área de programação, estamos lançando 15 novos programas, voltados aos clássicos do Rock, Dance, MPB, Reggae, Pop, entre outros. Também estamos reforçando o jornalismo, que já é referência em nossa região desde 1991, quando começamos o “Jornal das Sete”, com uma equipe completa de jornalistas

. Na área comercial, lançamos o “Pontualidade Premiada”, que dá um ponto para cada pagamento feito em dia. Ao juntar 10 pontos, o cliente pode trocá-los por 15 dias de veiculação comercial, seja ampliando seu contrato atual ou usando para uma promoção.

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As instalações da Morena FM 98.7, em Itabuna, Bahia

RW: Devido ao seu cargo na emissora, qual é o seu maior desafio?
Leal:
O desafio hoje é aumentar o faturamento numa região de poucos recursos e levar para a Internet um projeto que seja mais do que a simples transposição de uma emissora FM para a rede.

Outro desafio é se preparar para aproveitar a Copa do Mundo de futebol de 2014, que terá jogos na Bahia. Sempre fizemos promoções neste evento e temos uma reputação para manter e ampliar.

RW: A sua emissora já migrou para o digital?
Leal:
Em setembro de 1991 digitalizamos todo o nosso acervo musical. Em janeiro de 1994 digitalizamos todos os comerciais usando um Digicart II.

A transmissão digital ainda não tem sequer o sistema definido pelo governo, o que impede investimentos nesta parte da digitalização.

RW: Que vantagens a informatização apresenta e de que maneira a digitalização está transformando a cultura corporativa tradicional dentro da indústria e a operação da sua emissora?
Leal:
As vantagens incluem a facilidade em obter novas músicas, a rapidez nos lançamentos, armazenamento fisicamente muito menor, pois cabe tudo num HD, qualidade de áudio, facilidade de edição e cópia e portabilidade do acervo.

Na indústria, quando passamos a tocar só músicas digitais, em 1991, obrigamos as outras emissoras a “correr atrás” e mesmo assim, a segunda rádio com acervo digital, a Manchete FM, em São Paulo, só apareceu em 1994.

Dentro da emissora, deixamos de lado as casseteiras e LPs, pouco confiáveis e de baixa qualidade, e passamos a lidar com pendrive. Os locutores fizeram a transição com rapidez e em apenas um mês ninguém lembrava mais como eram os tempos analógicos.

A área de armazenamento dos mais de 8.000 LPs e mesmo dos mais de 12.000 CDs que acumulamos hoje cabem num PC.

Antes, contratos e documentos seguiam por correio, assim como fitas com o spot para aprovação do cliente. Hoje, vai tudo por email. No jornalismo, as entrevistas de rua são digitais, a pauta e os textos circulam por email, ganhando tempo e qualidade.

Um radiojornal de 15 minutos pode ser gravado e editado em pouco mais de 20 minutos.

RW: Pode dar-nos uma idéia do equipamento usado pela estação? Em que medida esse equipamento tem contribuído para o êxito?
Leal:
Estão saindo o Digicart II Plus, o SmartCut e o InstantReplay, todos da 360 Systems, que há anos nos ignora, tornando impossível a manutenção.

Foram trocados por dois PCs e dois de backup rodando o sistema operacional Linux e programas open-source. As músicas são tocadas em Flac (sem perdas) ou mp3 codificado a 320kbps.

Na produção, usamos o Audacity para edição e efeitos, EasyTag para as tags mp3, uma placa M-Audio como mesa. No ar, Amarok para veicular spots, vinhetas, músicas e entrevistas. Os PCs são ligados em rede, tornando facílimo o transporte entre produção e transmissão.

Na área comercial, os PCs também rodam Linux, a suite LibreOffice, o navegador Firefox. Nossa necessidade de email e serviços online é baseada no Google Apps.

A qualidade de áudio, reconhecida como uma das melhores do Brasil, é garantida pela otimização de um processador de áudio MTA. Todos eles dão à rádio um som único, muita qualidade de áudio, um som homogêneo entre música e comerciais e uma confiabilidade muito grande.

RW: Quais são os planos para o futuro na área de desenvolvimento tecnológico? A emissora pretende digitalizar o seu acervo?
Leal:
Desde 1991 o acervo inteiro é digitalizado. Uma pretensão é criar um software específico para controle e gerenciamento de uma rádio, desde a área comercial até a transmissão, rodando em Linux e adaptado às necessidades atuais de uma rádio típica. A escolha do Linux se deve a ele ser muito superior ao Windows, mais seguro, estável e à prova de falhas.

A ideia é depois disponibilizar o software gratuitamente a outras emissoras.

RW: O que acha da implantação do rádio digital (DAB) no Brasil? Qual é a sua expectativa em relação à tecnologia de rádio digital?
Leal:
Um vexame. Até hoje o governo não conseguiu definir que sistema iremos adotar. Existem poucos testes do sistema IBOC e praticamente nenhum do Eureka-147. E burocratas ainda falam em criar um sistema próprio para o Brasil.

Além disso, a transmissão digital da TV é um fracasso, não está sendo adotada pelas pessoas por um motivo simples: não há nenhuma vantagem, não há interatividade nem programação para o sinal digital. Apenas se retransmite a mesma produção analógica.

RW: Deseja acrescentar algo?
Leal:
Para mim, o DAB só será viável quando o ouvinte reconhecer vantagem em jogar fora seus rádios (rádio-relógio, rádio de carro, rádio portátil, rádio de casa) em troca do digital. Só a maior qualidade de áudio é insuficiente.

Emissoras como a nossa, que são digitais de ponta a “quase-ponta” e não comprimem o áudio, já tem uma qualidade próxima à que se espera do DAB. Não podemos sequer estudar maneiras de aproveitar as características do DAB, como a interatividade, porque não sabemos qual será o sistema adotado no Brasil.

Além disso, o DAB tem um custo que 90 por cento das emissoras do interior não tem como bancar. Será preciso um financiamento do governo, de longo prazo e com facilidades para convencer as empresas a trocar seus equipamentos.

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